“O fonoaudiólogo é o profissional da Saúde, de atuação autônoma e independente, que exerce suas funções nos setores público e privado. É responsável por promoção da saúde, avaliação e diagnóstico, orientação, terapia (habilitação/reabilitação), monitoramento e aperfeiçoamento de aspectos fonoaudiólogicos envolvidos na função auditiva periférica e central, na função vestibular, na linguagem oral e escrita, na articulação e fluência da fala, na voz, no sistema miofuncional orofacial e cervical e na deglutição.” – Áreas de Competência do Fonoaudiólogo – 8º Colegiado CFFa 2007. Sendo a comunicação fator preponderante para satisfatória adaptação dos indivíduos em nossa sociedade, é de grande relevância o aperfeiçoamento dos padrões de fala, da voz e da linguagem apresentados por alguns indivíduos. Há que se considerar também a importância da reabilitação dos portadores de algum distúrbio de voz, fala e/ou linguagem decorrente de tratamentos prévios, que esteja prejudicando ou impedindo sua efetiva comunicação. Considerando que o ato de comer é preponderante para a manutenção da vida, além de ser um dos maiores prazeres do ser humano, é esperado que qualquer alteração que dificulte ou impeça uma satisfatória dinâmica da alimentação interfira direta e negativamente nos aspectos físico e emocional do indivíduo. Em oncologia, a fonoaudiologia trata funcionalmente a região da orofaringolaringe como objetivo de prevenção, avaliação e reabilitação das sequelas e/ou complicações da voz, deglutição, fala, linguagem e audição decorrentes do câncer e/ou de seus tratamentos. A função de deglutição pode estar alterada em grande parte desses pacientes, sendo a disfagia um sintoma que limita a ingestão de alimentos e pode levar a complicações como desnutrição, desidratação e alterações respiratórias. Além disso, a dificuldade para engolir modifica a relação do indivíduo com a alimentação, podendo provocar inapetência, aumento do tempo de refeição, redução quantitativa e qualitativa da ingestão de alimentos, medo de engasgar, perda do prazer de comer e até restrição social. A traqueostomia procedimento comum e necessário em alguns casos no tratamento oncológico em região de cabeça e pescoço, altera a anatomia e a fisiologia do sistema respiratório que é fundamental para a produção vocal, além de impactar no mecanismo da deglutição. Até pouco tempo atrás, a atuação fonoaudiológica nos casos de Câncer de Cabeça e Pescoço se restringia à reabilitação dos pacientes submetidos à laringectomia total. A atuação concentrava-se na aquisição da voz esofágica e, em casos determinados, na indicação e treino do uso da laringe eletrônica. Posteriormente, iniciou-se o trabalho com os indivíduos submetidos a laringectomias parciais, reabilitando–se as sequelas de voz e/ou deglutição. Atualmente, o cenário é outro: há uma preocupação com a preservação de órgãos, com a qualidade de vida e a melhor forma de reabilitação. Sendo o envolvimento integrado da equipe multidisciplinar mandatório para adaptação funcional e de integração social do paciente.

Juliana Carla Gabriel Monteiro
CRFa 5 – 2069
Responsável pelo serviço de Fonoaudiologia do Hospital de Câncer Araújo Jorge desde 2003
Membro da Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional do HAJ
Professora da Pós-Graduação do CEAPG da Faculdade Delta
Integrante do Corpo Clínico de Grupo de Práticas da Faculdade CEAFI
Fonoaudióloga voluntária da ACBG (Associação de Câncer de Cabeça e Pescoço)
Co-orientadora da LAFONCO (Liga Acadêmica de Fononcologia da PUC-GO)
Especialização em Fonoaudiologia Hospitalar
Especialização em Educação para Diversidade